quinta-feira, julho 31, 2003

E não é que você fez exatamente o que eu pedi?

segunda-feira, julho 28, 2003


Eu queria ser um velho bêbado tarado qualquer e escrever poemas sobre o cheiro de miojo que tem meu mijo.

E afinal, quem precisa de comentários?

sábado, julho 26, 2003

No mais profundo de ti (crônica do amor cruel)
por MORA FUENTES

Desterrado da pátria antiquíssima da minha
Crença, consolado só por pensar nos deuses,
Aqueço-me trêmulo,
A outro sol do que este.
FERNANDO PESSOA
( Odes de Ricardo Reis )


Pequena cadela que tu és, mil vezes te mataria se estivesse em mim, ainda, poder tão absoluto sobre ti.

No entanto sobrevivo meus dias nessa ausência de sangue, rodeando inúteis escapulários porque não é a mim que desejo defender. Nada em mim implora proteção clemência, inúteis que sei agora e para sempre os dias de calma. Antes, um pernoitar de fogo me movimenta as noites, sorriso de trama, pérfida urdidura. Tal é o logro feliz que te preparo.

Evoluo assim, saciado, as minhas horas. Te vejo e revejo factível, moldável, perecível, imaginando-te exausta num pedaço enorme de deserto (minha vida talvez, agora que te não tenho) e eu o senhor das águas, e não não não, não seria clemente. Mentiria dizendo Ali, olha ali ------- e ali nada. O poço em outra direção, tão distante de ti e mesmo de tudo, que nem se por momento aquoso meu torpe coração se comovesse, perdido nessa guerra em que sempre fui vencido, me venceste, nem assim te salvarias. Impossível, para mim, te ofertar dádiva de águas.

Sucumbirias, pequena lontra, num estertor de seca e estupidez, enquanto impassível, austero, sem culpa, absorvo feliz tua agonia. Primeiro, porque a merecestes. Segundo, por não haver em mim nenhuma possibilidade, morto eu também pela distância da vida.

Morrerias insaciada, numa lentidão de areias e de ventos. E eu perene, isento de leis, governador do mundo.

Também te imagino entre lobos, e apenas numa memória minha o nome antigo deles todos (nome sonhado em vigílias de lua, uivo de cada um que trago dentro do peito). Sei que estás lá, com eles. Répteis e serpentes completando círculos. E enquanto eu, distante, penso outros mundos, perdido no que perdi te amando, tu, perversa, vais sendo tatuada por dentes patas pelos e línguas.

Inócuo, aperto entre as mãos a chave que te soltaria desse território maligno. Comigo em mim tua única saída. Apenas eu te salvaria, se me lembrasse disso.

Mas indolente, modorra de todas as tardes aplicadas a este dia, por mais caminhe meu passo sei que nunca me aproximaria de ti, de onde estás, acre serpente, animal maldito, ódio do meu ventre, corpo conspurcado de mim, porque tanto te amei que agora te desejo morte, mil vezes ausente da vida por tua culpa, mil vezes distante de mim, embora resoluto.

Mares entre nós, abismo de Tempos.

Mas é aí, nessa imensidão de perdas, que inicio, carrasco, estratégias, planificações, batalhas, em que a derradeira perene vitória seria possuir tua vida um minuto antes, um minuto antes que se extinguisse.

Tudo se fez tão abismoso que só te percebo assim, despudorada e maldita, verme de um amor, peçonhenta e rapinosa.

Me vejo assim também. E subjugado, torpe, crepúsculo de um dia. Enfurecido percebo que nada em mim pode ser peçonha, distância tão grande dessa vida que em tudo te protege.

Com outro, corrompes novos mundos. Constróis impérios onde sou nada. Decepas lobos, caminhas.

Minúsculo, não percebido, rarefeito, percorro submisso teu horizonte onde reina esse novo outro (eu mesmo esquecido, que é quem procuras), sabendo de ti por sorver o hálito de um mundo e por te imaginar nele, soberba e soberana, crudelíssima víbora porque me excluíste, pecaminosa em tudo porque me esqueceste.

(...)

(Fragmento)
No mais profundo de ti (crônica do amor cruel)

Esse mundo é um bocado engraçado...

Estado da Índia dá aposentadoria integral para elefantes

Um Estado do sul da Índia determinou que todos os elefantes empregados pelo governo recebam aposentadoria integral ao atingir 65 anos.
Eles deverão parar de trabalhar quando atingirem a idade, mas continuarão recebendo comida, moradia e assistência de saúde do Estado de Kerala.
Lá também os funcionários públicos levam vantagem: só os elefantes empregados pelo Estado poderão receber a aposentadoria.
Os elefantes de circo, por exemplo, vão ter que continuar trabalhando até o fim da vida para receberem a sua comida

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2003/07/030725_elefanteson.shtml

Romenos

Eu conheço um escritor romeno. É mesmo. Eu conheço
um escritor romeno. Vocês sabem, não é qualquer um que
conhece um escritor romeno. Tá certo, eu li em inglês.
Mas não á mesma coisa que ter escutado a nova música
daquela banda desconhecida da Nova Inglaterra que só eu
conheço. Só eu, entende? Claro que não! Vocês não
conhecem nada. Eu falei ontem mesmo com um cara que me disse
que tudo não passa de um filme B daqueles da década de 50
com o Robert Stack de ator principal. O Robert Stack tira
a camisa de flanela, camiseta branca por baixo, suada, e abraça uma atriz
loira numa cama fétida de um hotel barato num subúrbio de Chicago.
Tudo bacana. Tudo muito marginal. Maldito. Sujo. Romeno.
Eu fui num restaurante ontem. Não era bem um restaurante.
Era um bifê. Mas não era bem um bifê também.
Na verdade era uma lancheria. Mas tinha um bife. Que bife!
O bife era tão bom que decidi que se eu gostei não
deveria se chamar bife. Deveria ser flesh! Flesh Nouveau.
Cheguei em casa e preparei o bife com milhares de temperos
diferentes, vinho aos montes e muitas outras coisas que só se encontram
naquela venda romena onde um cozinheira canadense esconde suas receitas
alternativas de pratos extremamente desconhecidos e exclusivos.
Depois escrevi um livro de receitas, em romeno, comi uma
atriz da Globo, loira falsa de preferência, e comecei a ter uma coluna
semanal na Folha de São Paulo. A banda da Nova Inglaterra, que não
fica no Canadá, tem um som melancólico. Mas ao mesmo tempo pesado.
Instigante. É um Radiohead com timbres de Led Zeppelin, saca?
Mas sem deixar de ter aquela pegada, sabe? Romena.
Também lancei um livro de receitas pra comer atriz da Globo.
Primeiro, tenha um cargo importante. Segundo, coma. Terceiro, ela vira
atriz da Globo. A Globo vendeu novelas para a Romênia.
Agora vou poder assistir a todas elas no original. Em romeno.
Semana passada comecei a ler o Sidnei. O Sheldon, sacam?
Estou gostando. Estou gostando tanto que acho que ele só pode
ser romeno. Ou da Nova Inglaterra. Não sei como não tinha lido
nada dele antes. Ele é tão compulsivo. Tão vibrante. E ao mesmo
tempo carrega aquela dose de desespero da vida atual.
Aquele tédio de não saber o que fazer. Aquela melancolia da
Nova Inglaterra. Gostei tanto que vou até transcrever um trecho
pra vocês lerem:

"Ela não abriu as pernas. Ela não gosta de abrir as pernas.
Estava deitada de bruços. Fui roçando com a minha pica no rego
de sua bunda pra cima e pra baixo. Ela começou a dormir.
Tocou o telefone. Era o presidente. Eu disse que era impossível.
Que não tinha como. Que não era hora. Ele não quis saber.
Meia hora depois entrei na sala da empresa, sol nascendo,
um velho com um copo de uísque na mão me observando.
Eu sou teu pai, ele me disse. Respirei fundo. Acendi um cigarro.
Depois outro. Dei um soco no velho, rasguei suas calças
de velho, passei meu pau no seu rego enrugado de velho
e gozei em sua bunda caída de velho.
O presidente observava tudo em silêncio."

Sentiram a angústia do personagem? O sofrimento dele em relação
ao mundo que o cerca? Toda essa necessidade reprimida de uma
sociedade que vem aos poucos destruindo a individualidade e fazendo
com que as pessoas fiquem cada vez mais parecidas e insensíveis.
Que elas fiquem cada vez mais romenas.

Marcelo Benvenutti

quarta-feira, julho 23, 2003

- Me tira de uma vez da sua vida.
Você me responderia sempre sorrindo: "não minha flor, eu que te amo tanto? eu sinto sua falta"
Sente. Sente mesmo.
Pois eu não. Não é orgulho, nem imaturidade. não, não estou fugindo da solidão, eu só não ligo.
Agora é a hora que as luzes se apagam, Bob Dylam começa a tocar e algum senhor de meia idade me diz que eu estou com inveja. De preferência um mendigo, bêbado, que após me abraçar diga que tem catapora (eu nunca peguei catapora, e vc?). Caminho

Reformulei meus critérios de namorado ideal. Agora é só procurar...

segunda-feira, julho 21, 2003

Voltei a gostar de Clarice Lispector...
"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e não fosse sempre a novidade que é escrever, morreria simbolicamnete todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamnte pela saída da porta dosfundos. Experimentei quase tudo, inclusie a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."
A Hora da Estrela

Homenagem àqueles que tem a pretensão de escrever.

sábado, julho 19, 2003

Lugar do Caralho Wander Wildner

Sozinho pelas ruas de São Paulo eu quero achar
Alguém pra mim.
Um alguém tipo assim :
Que goste de beber e falar, LSD, queira tomar e curta,
Syd Barrett e os Beatles
Um lugar onde as pessoas sejam mesmo a fudê,
Um lugar onde as pessoas sejam loucas e super chapadas
Um lugar do caralho

Eu preciso encontrar um lugar legal pra
Mim dançar e me escabelar, né
Tem que ter um som legal, tem que ter gente legal
E tem que ter, cerveja barata !

Sozinho pelas ruas de São Paulo eu quero achar
Alguém pra mim.
Um alguém tipo assim :
Que goste de beber e falar, LSD, queira tomar e curta,
Júpiter Maçã e os Beatles
Um lugar e um alguém que tornarão me mais feliz
Um lugar onde as pessoas sejam loucas e super
Chapadas
Um lugar do caralho

sexta-feira, julho 18, 2003

Deletei meu outro blog. Cansei de achar que eu poderia voltar as ser a mesma de seu inicio. Não poderia... Mas sei lá, acho que de certa forma obtusa isso deve ser bom.

quinta-feira, julho 17, 2003

Não sei o que faço com este blog.
Ele seria, teoricamente, o medidor de humor da Mariana. Se ele fosse sarcástico, significaria que a Mariana anda malvada. Se ele fosse piegas, significaria que a Mariana acabou de ler Werther ou se apaixonou, se ele fosse engraçado... tá, engraçado ele nunca seria.

Eu quero jogar minha vida no lixo.
E este vai ser o último post sobre você...

My tea's gone cold, I'm wondering why I got out of bed at all
The morning rain clouds up my window and I can't see at all
And even if I could it'd all be grey, but your picture on my wall
It reminds me that it's not so bad
It's not so bad
I drank too much last night, got bills to pay
My head just feels in pain
I missed the bus and there'll be hell today
I'm late for work again
And even if I'm there, they'll all imply that I might not last the
Day
And then you call me and it's not so bad
It's not so bad and
I want to thank you for giving me the best day of my life
Oh just to be with you is having the best day of my life
DIDO

Era difícil. Simplesmente tinham se esgotadas todas as forças para fingir. Aquela menina linda sentada no canto do bar tomava todos os seus sentidos, que insistiam em não agir como o combinado. Era seu aniversário, a comemoração num bar de música alternativa era sugestão de sua namorada. Não valia a pena explicar que hoje ele queria algo diferente, não valia a pena.
Sabia também que sua namorada não estava feliz, há muito tempo não estava, e a culpa era sua. Não que tivesse feito algo errado, não que a tratasse mal ou tivesse desencantado, não que não a amasse mais; simplesmente não era suficiente. A outra garota era estranhamente instigante. O que seu olhar triste queria dizer? se perguntava sempre, já sabendo a resposta. Alimentava-se das pessoas e, não era novidade (infelizmente), sua namorada era já fonte esgotável. Isso não diminuía o amor, só criava novos interesses que ela insistia em não aceitar.
MARIANA

Creep
When you were here before
Couldn't look you in the eye
You're just like an angel
Your skin makes me cry
You float like a feather
In a beautiful world
I wish I was special
You're so fucking special
But I 'm a creep
I 'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here
I don't care if it hurts
I want to have control
I want a perfect body
I want a perfect soul
I want you to notice
When I'm not around
You're so fucking special
I wish I was special
RADIOHEAD

Certas pessoas não mudam
Enquanto o carro se afastava cada vez mais das luzes e entrava na assustadora e solitária escuridão da noite, eu olhava pela janela. O brilho pálido das estrelas tinha um tom melancólico que me lembrava a minha última visão de você, as lágrimas a acariciar seu rosto. A cidade ficava pra trás, os prédios, semáforos, as lojas, as pessoas, enfim: minha vida ficava pra trás. E eu não me sentia de todo triste, na verdade tinha um sentimento de vida dentro de mim. Eu estava longe, mas também estava perto de coisas novas. Estava livre das minhas cicatrizes.
Você simplesmente não entendia que não era minha culpa, nunca parou para me ouvir. A única coisa que eu te pedi, e você não fez para mim. Mas eu era diferente de você, principalmente agora. Eu entendia todos os seus motivos, sabia o porque de cada uma das suas palavras rasgadas. Você não estava pronta para me ouvir, não sabia como. E quando eu estava do seu lado te enxergava perto demais, não te via como um todo, como uma pessoa capaz de coisas diferentes. Agora eu sei que não mais te verei, que as últimas palavras foram de ódio, um ódio tão inconseqüente que só podia estar ali para cobrir o que não podia ser visto. Uma casca que te protegia de sua vulnerabilidade. E os gritos só mostraram o quanto você pouco entendia do que estava acontecendo.
As lágrimas ficaram para trás, com o seu rosto triste. Você era muito pequena quando eu parti, os anos sempre trazem surpresas. Mas elas nem sempre são boas. O engraçado é pensar que outro dia te vi na rua, impossível seria não te reconhecer. Você mudou tanto que permaneceu a mesma pessoa. Andava com suas amigas, aquelas que falavam de mim, aquelas que sabiam tanto sobre meus obscuros pecados, aquelas que me traziam as palavras hostis de que você precisava, aquelas que sempre tentaram de tudo para me machucar, aquelas que estavam tão preocupadas em apontar todos os meus erros que nunca conseguiram ver nenhum.
Os erros de verdade sempre se escondem por trás dos mais perfeitos acertos. Estes elas não queriam ver, eles estavam por trás de quem eu sou de verdade. Mas para elas nunca fez diferença, parte da graça era inventar mentiras e ver até onde podiam jogar as pessoas umas contra as outras. A maioria das pessoas pensa que o melhor jeito de ganhar a confiança de alguém é apontar um traidor entre os seus melhores amigos. E a parte triste é que quase sempre funciona. E a parte mais triste ainda é que quase sempre elas estão certas. Mas em mim nunca chegaram. Não pense que digo isso com a convicção de que eu não teria erros para serem expostos, erros que afastariam a mais compreensiva das pessoas; digo isto porque inventei erros tão óbvios e desimportantes que eles roubaram a atenção dos que valiam a pena para estes abutres. Gente assim se dá por satisfeita muito fácil; se eu fosse um dia escavar os erros de alguém, pode ter certeza que teria motivos tão bons que não pararia por nada do mundo até que o infeliz estivesse tão embaixo que não houvesse mais nada a dizer. Acho que também é uma questão de motivação: eu não faria isto por esporte.
O fato é que elas também não levam nada a sério, elas nunca buscaram o ódio necessário para destruir alguém. Se bem que não seria uma boa no caso delas, este ódio sempre vem junto com um ímpeto auto-destrutivo que simplesmente passaria por cima daquelas aprendizes de mentirosa. Elas fazem este tipo de coisa tão despretensiosamente que na semana seguinte nem lembram do nome da vítima. Mas uma coisa que sempre deu força a elas foi a união. Sempre agiram em grupo, o que dá credibilidade às mentiras mais inacreditáveis que elas possam inventar. Ou seja, elas superam a burrice e a falta de imaginação com um grande número. É claro que a confiabilidade desta técnica é duvidosa, pois qualquer pessoa com meio cérebro e um pouco a menos de ingenuidade saberia que o que um milhão desta corja fala tem menos credibilidade do que o testemunho de um desconhecido bêbado e cego. Mais a parte mais patética deste grupo é que, por saberem de sua própria natureza, elas vivem se vigiando, tendo a certeza de que alguma das outras sempre estará tentando atacá-la pelas costas. E elas sempre estão mesmo. Por isso o grupo vive se renovando, quando uma cai pelas mãos de uma das “amigas”, outra nova tem que vir em seu lugar. Mas isso não é problema, achar gente assim é das coisas mais fáceis.
Lá estava você, passeando despreocupada, e enquanto eu assistia comecei a lembrar dos dias passados em que eu era o imbecil do seu lado. Isso me faz pensar: será que eu já fui como você? Será que seu jeito tão simples me contaminou tanto que eu não podia mais olhar para fora das pequenas paredes que você construiu para mim? O pior é que eu acho que sim, e disso se pode tirar uma assustadora conclusão: a felicidade é a mais perfeita das prisões, justamente porque dela ninguém quer sair. Eu sei que você não faz a mais remota idéia disso, mesmo porque você não passa de mais uma prisioneira dentro do seu castelinho de bonecas, onde nenhuma verdade conseguiria entrar, onde as janelas não passam de espelhos, refletindo toda a enjoativa beleza plástica que existe lá dentro e impedindo todos de olharem para fora. Isto é outra coisa fantástica a respeito desta prisão: quem passa perto se encanta com esta beleza e pensa que isto é a perfeição. Quem está fora quer entrar, mal sabendo que provavelmente nunca vai poder sair. E se um dia sair talvez seja pior ainda, pois depois de muito tempo se desaprende a enxergar o mundo de verdade. É como viver numa sala escura a vida inteira e de repente encarar o sol. Não dá, ele queimaria suas retinas acostumadas ao conforto da escuridão.
Será que foi por sorte que eu escapei com tão poucas seqüelas? Será que se eu tivesse quebrado uma das janelas e olhado para fora do castelo eu sairia espontaneamente? Eu abandonaria tudo lá dentro pelo sufocante desconforto da verdade? Eu teria a força de sair da escuridão para, iluminado pelo sol, poder enxergar com perfeição os meus mais horríveis defeitos? Acho que agora eu estou longe demais para responder a estas perguntas, mas de uma coisa eu continuo sabendo: Eu sou diferente de você. Lá dentro todos parecem iguais, as pequenas diferenças pouco importam. A verdade é que qualquer diferença importa, qualquer diferença pode causar brigas, pode matar.
Eu tenho que confessar que um dos sentimentos mais fortes dentro de mim quando eu te vi naquele dia foi um esmagador remorso. Eu me senti culpado por ter ido embora e deixado você lá dentro. Agora, depois de tanto tempo, para mim aquela vida não passava de dolorosas boas memórias. Mas para você não, para você aquilo era vida. Eu sei que esta culpa não tem fundamento, porque eu não teria recursos para tirá-la de lá. E para ser sincero, não acho que você sobreviveria aqui fora. Você é muito frágil, e a verdade não tem pena de você do mesmo modo que eu tenho. Ela passaria por cima de todas as suas fantasias de uma só vez, e isso te forçaria a procurar alguma outra coisa, qualquer coisa que te desse apoio. Só que você se apoiaria nas coisas mais belas e ornamentadas, nunca nas mais firmes e seguras. Tem que se aprender que aqui as coisas funcionam de jeitos diferentes. O que seria de você sem suas mentiras?
Eu sei que você não entenderia isso, na verdade você não entenderia absolutamente nada do que estou falando, mas aqui vai o melhor elogio que eu poderia te fazer: Você foi a melhor mentira que aconteceu na minha vida. Se existe alguma pequena dúvida dentro de mim quanto a validade de ter saído lá de dentro, esta dúvida só existe por sua culpa. Eu lembro bem do começo, logo depois que eu saí. Estava tão assustado que só pensava em uma coisa: eu quero voltar. Teria feito qualquer coisa para voltar, achei que ia morrer aqui fora. Quase foi isso que aconteceu, mas eu sobrevivi. Talvez tenha sido sorte, talvez não. Mas isso não importa, o que importa é que agora eu estou vivo e não voltaria para dentro por nada do mundo.
Eu sempre achei que acabaria me acostumando com o ambiente daqui, e aí poderia viver. Mas é mentira, se você encarar as coisas de frente acaba encontrando algo que vale a pena, alguma coisa que te faz feliz de verdade. Sabe o que é engraçado? Aí dentro tudo o que tem é felicidade, mesmo as tristezas, que aparecem só para dar credibilidade à mentira, são sempre permeadas pela inabalável camada de felicidade. Aqui fora não, aqui fora as coisas são duras e difíceis, a felicidade brinca de se esconder e ri da sua cara enquanto você procura desesperado por ela. Parece ruim né? Não é. Porque quando você encontra a felicidade aqui fora ela é outra, ela tem valor. Se você sentisse frio todos os dias, daria muito mais valor ao calor de um raio de sol. Mas na verdade é muito mais do que isso, o que acontece é que ela tem um sabor de realidade que não pode ser substituído por nada. É verdade que ela é frágil, pode se perder por aí, mas isso faz parte da sua perfeição. Quando você encontra ela percebe que vale a pena lutar contra todas as tristezas e imperfeições, é aí que você perde de vez todas as dúvidas sobre o quanto valeu a pena sair de onde estava antes, de onde você está ainda.
Acho que seu castelo está tão inabalável, bonito e perfeito que você não se lembra mais de mim. Eu estava fora e você não podia me observar através de suas janelas de espelho. A dor não passou para mim, passou o sofrimento, mas você sempre será uma ferida aberta. Isso é que é bom, eu tenho algo para lembrar, eu tenho uma vida atrás de mim. Tenho dores que fazem minhas alegrias mais intensas. Mas sabendo como você é, eu não tinha motivos para chegar perto, para dar um olá amigável e sem ressentimentos. Acho que nem isso você entenderia, ficaria pensando que é algum tipo de joguinho sujo e infantil, como o das suas amigas, para te derrubar. Você não entende que eu não preciso te derrubar.
Estranho é que eu sempre tive esperanças que você tivesse saído de lá também, que no final você entendesse tudo e estivesse bem. Eu fiquei este tempo todo longe pensando isso, mas bastou um olhar para você no meio da rua para entender que tudo era igual. Entendi também que eu só pensava isso porque ainda te enxergava com os olhos antigos, de uma pessoa que também era enganada. Agora te vejo direito, sem a névoa do passado nublando meu julgamento e te colocando num pedestal.
Acho que uma das suas amiguinhas lembrou da minha cara e apontou de lado, cochichando com vocês e dando risadinhas infantis. Eu até queria ir lá, falar com você, mas sei que ia ser pior. Não dá mais para chegar perto de você, certas pessoas não mudam nunca.
FERNANDO

Meu namorado ideal:
- Gosta de cerveja
- É Calado
- Inteligente
- Tão ou mais imaturo que eu
- Nunca namorou (e nem quer muito namorar)
- Sofre muito
- É meu mito
- Não acredita em amor
- É sarcástico
- Me cobre de porrada.
MARIANA

I Can't Live With You
I can't live with you
But I can't live without you
I can't let you stay
Ooh but I can't live if you go away
I don't know just how it goes
All I know is I can't live with you
I can't live with you - yeah
But I can't live without you
I can't breathe if you stay
But I can't bear you to go away
I don't know what time it is
All I know is I can't live with you
We're stuck in a bad place
We're trapped in a rat race
And we can't escape
Maybe there's been some mistake
We're trying to make a high score
We're walking through a closed door
And nobody's winning
We're just sinning against ourselves
Hold on baby tell me it's all right
Anger's breaking from the hurt inside
Passions screaming hotter
Doin' what we gotta do - yeah
I can't live with you
But I can't live without you
Cause I'm in love with you
Ooh and everything about you
I can't live with you
No I just can't live I just can't live
I can't live with you
Yeah and I can't live without you
Through the madness through the tears
We've still got each other
For a million years - yeah
QUEEN

Mais uma sexta feira. Você estava sentado na outra extremidade da mesa daquele mesmo bar de sempre. E eu gritava. Queria te dizer que estava ali. Queria te mandar embora. Queria te libertar. Mas vc não me ouvia. Acenava com a cabeça e sussurrava de volta como se nenhuma palavra minha se retese em seu cérebro:
- Está tudo bem minha querida...
E eu só me perguntava: o que ele está fazendo aqui? Comigo? Será que ele não se da conta?
Tento expulsa-lo, mas é impossível. Como você pode ser tão burro? Abre seus olhos! A menina perfeita está te esperando em algum lugar e você fica ai se enganando!
MARIANA
(fragmento de um conto de merda que para variar, nunca foi parar no papel).

Receita para esquecer um namorado:
Substitua o tempo que vocês passavam juntos por muita cerveja e cigarro. Passado um tempo, vá reduzindo a quantidade. Mas cuidado! Caso pare definitivamente, aumentam-se as chances de ter uma recaída.
MARIANA

I'll be your mirror
Reflect what you are, in case you don't know
I'll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you're home
When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you
I find it hard to believe you don't know
The beauty that you are
But if you don't let me be your eyes
A hand in your darkness, so you won't be afraid
When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you
I'll be your mirror
VELVET UNDERGROUND

Eu estou apaixonada
Eu não estou apaixonada
Eu queria estar apaixonada
Eu não acredito em paixão.
MARIANA

Eu quero jogar minha vida no lixo.

domingo, julho 13, 2003

Incomum

quinta-feira, julho 10, 2003

Tinha me esquecido como ouvir wander wildner me deixa de bom humor...

Um pouco de sua poesia:

Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo

Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo,
Parece uma grande bobagem
Mas é o que eu sinto
Quando eu estou voando,
E eu tô voando.
Eu fico pelado no quarto vendo a sua foto,
Parece uma grande bobagem
Mas é o que eu faço
Quando estou de porre,
E eu tô de porre.
Mas se eu pudesse eu ficaria sempre junto de você
Se eu pudesse eu estaria sempre perto de você.
Se eu pudesse eu ficaria ouvindo o seu coração.
Se eu pudesse eu não faria nada nem esta canção.

segunda-feira, julho 07, 2003

Mamãe, onde está meu blog?