sábado, maio 31, 2003


Que sábado mais domingo...

Oral Sex Donations Accepted


quinta-feira, maio 29, 2003


Coisas que apareceram no meu caminho:

"Não há melhor meio para se familiarizar com a morte do que associa-la a uma idéia libertina"
Sade

Do erotismo é possível dizer que ele é a aprovação da vida até na morte
Bataille

Foi reencontrado
O que? A eternidade
O mar de partida
Com o sol
Rimbaud


Será que vai ser sempre assim?

"Eu não tenho habilidades artísticas,
eu não conheço música clássica,
eu não leio escritores fabulosos,
eu não entendo de cinema,
eu não consigo discutir política,
eu não sustento uma opinião se sou a única a tê-la,
eu não escrevo bem,
eu não cozinho divinamente,
eu não divirto a todos,
eu não me adapto a desconhecidos,
eu não sei curiosidades bacanas,
eu não possuo uma personalidade marcante,
eu não sou impulsiva,
eu não conto histórias emocionantes,
eu não falo o que me vem à mente,
eu não tenho uma autenticidade invejável,
eu não reconheço os pequenos momentos,
eu não transformo meu silêncio em poesia,
eu não lembro o que devo,
eu não compreendo minimamente as pessoas,
eu não digo a frase que faltava numa conversa,
eu não sei ensinar,
eu não trato os outros como deveria,
eu não amo incondicionalmente,
eu não tomo iniciativas inusitadas,
eu não luto por causa alguma,
eu não conquisto com um sorriso,
eu não faço coisas complicadas com o computador,
eu não termino o que começo,
eu não vivo intensamente,
eu não fecho dias com chave de ouro,
eu não descobri o que quero,
eu não gosto de ser assim.
Eu não sou uma pessoa interessante..."

(tirado do blog da dona orquídea)

Favor fabricar pílulas de auto-estima para estas garotinhas...

segunda-feira, maio 26, 2003


Isso é o que eu chamo de tempos indecisos.
Parei quase na metade de Ulisses, larguei Proust na sequência, ataquei de Hannah Arendt e agora estou com Virginia Wolf.
E todos os livros são muito bons, mas eu simplesmente não consigo decidir qual quero ler primeiro. E amanhã, tenho certeza, já estarei lendo Bataille.
Será que a confusão em minhas leituras reflete na bagunça da minha vida?
Gostei do meu fim de semana, particularmente do domingo. Talvez seja por isso que eu ainda esteja em casa, não quero estragar a sensação. Infelizmente, ando matando aula demais...

Música bonitinha da Billie Holiday

Chinks do it. Japs do it
Upper Lapland little Lapps do it
Let's do it
Let's fall in love

In Spain the best upper sets do it
Lithuanians and Lits do it
Let's do it
Let's tall in love

The Dutch in old Amsterdam do it
Not to mention the Finns
Folks in Siam do it
Think of Siamese twins

Some Argentines without means do it
People say in Boston even beans do it
Let's do it
Let's fall in love

Cold Cape Cod clams
'Gainst their wish do it
Even lazy jelly fish do it
Let's do it
Let's fall in love

Electric eels I might add do it
Though it shocks'em I know
Why ask if Shad do it
Waiter bring me Shad Roe

In the shallow shoals English soles do it
Goldfish in privacy of bowls do it
Let's do it
We'll do it
Let's do it
Let's fall in love

quarta-feira, maio 21, 2003


estou com vontade de escrever, simplesmente. escrevi três contos desde que acordei. um deles quem sabe, depois de um monte de vodca, eu coloque aqui.
não fui a aula, de novo.
recuperei um pouco do meu auto-controle e da minha frieza antes tão característica. claro que foi as custas de muitos cigarros, remédios, álcool e decepção.
retorno ao meu papel de observadora entediada, profundamente entediada. no fundo são só bobagens superficiais que me esforço para tornar glamurosas.
eu só quero entender... e por isso mesmo preciso de mais pessoas para que eu possa novamente me ocupar. candidatos para uma sessão de psicologia barata?

Vocês deviam ler Hilda Hilst

"Irmã, sinto-me morto quase sempre. Só o tesão, o brilho, a cintilante, o pó é que me arranca da mesmice"

"Fora do corpo não há salvação"

"Então seguro teus pentelhos e cona, espanco-os, teu grito é fino, duro, um relho, um osso, há destroços pelo quarto, estilhaços daquela igreja, o cara expludiu tudo em cinco minutos (era eu?), gritava fosco: Deus? aqui ó, só sei de Deus quando entro na boca cabeluda da biriba, e logo depois ouviu-se o estrondo, a igreja explodindo feito jaca lá do alto despencando."

Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA,/ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue
Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne , a minha/Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida derramando. Cíclica. Escorrendo
Te descobre vivos sob um jugo novo.

domingo, maio 18, 2003

É sempre bom lembrar que eu não quero mais domingos como esse.

Amor perfeito
por Daniel Galera

Ele tirou a minha virgindade. Transamos no meu quarto, noite suarenta de sábado em que meus pais estavam no sítio, uma penetração indolor, lenta e gostosa, e pelo resto da madrugada ele acariciou incansável o meu corpo, venerando tudo, meus peitos que eu temia serem pequenos demais, minha bunda que eu achava mole, meus pés com dedos tortos, eu tinha medo de como os homens julgariam meu corpo, era minha única ansiedade e ele desmentiu-a logo em nossa primeira noite de cama. Na primeira vez que fizemos sem camisinha, estranhei a sensação de ter aquela porra dentro de mim, sentei-me sobre os tornozelos pra que tudo escorresse de uma vez para fora, me sentindo ridícula, ele pôs um lenço de papel na palma da mão e colocou-a entre as minhas pernas, dizendo Ei assim tu vai manchar o teu edredon. Os gestos dele me surpreendiam, trazendo calma e conforto, sempre iam a favor das minhas expectativas. Dia desses num bar uma menina chegou vendendo rosas, e por um instante temi que ele fosse me oferecer uma rosa, atitude que eu teria considerado estúpida, odeio flores e odeio babaquices românticas, mas não, ele recusou a rosa e ainda me disse Eu espero que tu nunca espere que eu te dê rosas. Não concordamos em tudo, na verdade temos gostos muito antagônicos para várias coisas, filmes e marcas de cerveja por exemplo, mas ele nunca mostrou-se preocupado em mudar minhas opiniões, aceitando minha personalidade, meus erros e meus estados de espírito com absoluta tolerância, anulando a vergonha que tive certa vez por chorar na frente dele com o gesto de lamber meu rosto e engolir minhas lágrimas, compartilhando meus momentos de angústia com abraços silenciosos, e numa noite em que saí sozinha e traí ele pela primeira vez, percebi que tinha uma chance de testar sua tolerância. Contei tudo, e para meu espanto ele apenas moveu as pálpebras macias e me disse que achava natural o desejo fora do relacionamento, que estava chateado mas que minha traição não influía no seu amor por mim. Insisti, descrevi detalhes do rapaz, dos beijos e carícias na pista de dança e isto, ao invés de abalá-lo, excitou-o. Acabamos transando, e eu gostei. Foi a partir daquele dia que a tolerância dele tornou-se irritante. Me convenci de que eu devia provocá-lo, eu necessitava de um pouco de ódio, tumulto, nosso amor era certo demais. Só que não funcionou: ele aturou meus porres escandalosos, meus arrotos em público, respondeu minhas agressões verbais à altura, acatou todos os meus comportamentos. Porque me amava. Me tratava tão bem, reagia tão perfeitamente às minhas expectativas, que o amor dele passou a me dar tédio, tornou-se irritante de tão pleno, de tão incorrigível. Daí resolvi terminar, mandei ele à merda. É claro que até nisso ele foi compreensivo. Eu estava prestes a acender o terceiro cigarro quando ele finalmente reagiu, e foi para me dar um abraço. Respeitou meus sentimentos, disse entender que seu amor incondicional me agredisse. Mas não era pra ele entender!, não era pra aceitar, porra!, era pra sentir ódio, pra me odiar, parti pra cima daquele filhodaputa, atirei telefone, copos, livros, cadeira, tudo pra cima dele, ele devolveu, me bateu com força, me xingou, e cada tentativa minha de machucá-lo ele respondeu, cuspi nele e ele me cuspiu, arranhei o rosto dele com ferocidade, ele me chutou pelo chão da sala, senti dor berrei como uma porca, e percebi horrorizada que até mesmo naquele momento, por deus, ele estava fazendo o que eu esperava dele, ele estava me dando o que eu queria.

Do livro: "Dentes guardados"

Os ressentidos são a praga do mundo. Gente que se odeia e sente a necessidade de odiar os outros pra justificar sua vida. Moralismos de quem não consegue criar nada para si e para os outros. Pulsão classificatória. SOLIDÃO. Mas não a solidão de quem se experimenta, que se re-inventa. Solidão de quem adoraria fazer parte de algo, mas não consegue, vive na impotência. Medo, dor, preconceito, autoproteção ilusória, I M P O T Ê N C I A. Quem os levará à "redenção"? Os ressentidos apodrecem a si mesmos todos os dias.

-Eduf

Eu crio... só não fica bom...


sábado, maio 17, 2003


Ok, talvez eu fume igual a minha mãe, mas existem coisas bem piores... Sou quase tão chata quanto ela. Quase tão desinteressante e histérica.

Eu ia escrever um poema que começava mais ou menos assim:

Alguma pessoas escovam os dentes
ao acordar
Eu,
tomo Coca-Cola

Mas, devido ao meu evidente talento literário, parei por aqui.

quinta-feira, maio 15, 2003


Trecho de um conto de um livro muito legal.
Ele começa com uma das melhores frases de Hilda Hilst: "o olhar dos animais é uma pergunta morta"

missal para rastejantes
daniel pellizzari

"... meu sangue do dedo pingou pela pia. medo de matar formigas. acerto uma só, grandona. no meio das baratas. umas lacraias passam ondeando. tão delicadas. a formiga sai. viva. pego de novo a faca. Um pouco de sangue na lâmina. Pode ter mais. Eu desexistir. De saco cheio Deus. Fiquei esperando todo esse tempo e ele foi embora Deus. Ele sempre disse que eu era a Mulher mas que ainda não era a hora deus. Todo tipo de bicho pela cozinha. Umas mariposas no meu cabelo. Enrolam nos cachos. Encosta a faca no pulso. Tenho medo. Acho que sempre fui meio idiota deus. Com que intenção a gente foi cair aqui assim Deus hein me diz. O que leva a gente a acreditar em coisas Deus hein me diz. Enfio a mão na gaveta cheia de baratas formigas lacraias lesmas cupins besouros gafanhotos aranhas centopéias minhocas vermes minha vida Deus. O ruído da faca vem em três agoras: depois pára, deitada seca. Enfio a outra mão, fecho uma concha. Puxo o ar bem fundo boca aberta sai um barulho bem no fundo meio chiado. Faço um bico e sopro a vida pra fora. Se é assim é assim que vai ser. Enfio na boca os bichos todos. Mastigo bem. Crocante. Chupo os sucos até o final. Um travo na boca. Engulo a pasta. Com a língua tiro os restos de pata e casca dos meus dentes. Ninguém vai me enganar agora, deus. Não consigo nem lembrar a cara dele que eu esperei, deus. A ausência que quando chegou me levou para longe. Nunca foi meu, deus. Nunca fui nada. Mas minha decisão eu já tomei. Não vou fazer o que vocês querem, deus. Ninguém vai mijar em mim. Ninguém vai dizer que me comeu. não vou ser toco. Que se fodam. Não vou. Chuto a faca. Bate na parede, treme e fica de novo imóvel. Coisas estão sempre mortas, deus. A gente faz o que quer com elas e tudo bem. As coisas estão ai para isso mesmo. Mas não eu. Eu sou outra que não coisa, deus. Acho que descobri o que sou. Pra quê eu sirvo. O que tenho que fazer. Se é assim que tem que ser então é fim de trato. Enfio as mãos mais uma vez e mastigo os resto dos bichos. Não vejo mais uma formiga sequer. Hans quieto para sempre. Eu de boca cheia. Esta morte nem tem gosto. Mas é a vida que você nos oferece, deus. É o que você me deixou, meu amor. Muito obrigada. Caminho até a sala e abro uma das janelas. Agora que o fim chegou eu posso começar a cuidar de viver.

Este conto não tem letras maiúsculas no começo das frases, mas meu word insiste em corrigir automaticamente.
Sim, alguns “deus” são com letras minúsculas e outros com maiúsculas.

É assim que eu me sinto (com ampla capacidade de abstração)

domingo, maio 11, 2003


Dia das mães burguês e insosso com final divertido.

sábado, maio 10, 2003

Eu tenho uma namorada.

quinta-feira, maio 08, 2003


Crise

domingo, maio 04, 2003


- Não cheguei na hora
- Não comi frango com laranja
- Não tomei picóle de melão
- Não tive uma tarde divertida
- Não consegui conversar com os amiguinhos
- Não me senti à vontade
- Não tenho mais um namorado
- Não fui ao teatro
- Não me diverti na Paulista
- Não fui para casa quando disse que ia

- Bebi pra caralho.