“O que Laura lamenta, o que mal pode aturar, é o bolo. Ele a constrange, mas não pode renegá-lo. É apenas açúcar, farinha e ovos – parte do encanto de um bolo é sua inevitável imperfeição. Sabe disso; claro que sabe. Mesmo assim, esperava criar algo melhor, mais significativo do que aquilo que produziu, apesar de ter saido lisinho, com o parabéns bem centralizado. Ela quer (admite para si mesma) um bolo de sonho em forma de bolo verdadeiro; um bolo investido de um inegável e profundo sentido de conforto, de abundância. Queria ter feito um bolo que varresse as dores do mundo, ainda que só por uns tempos. Queria ter feito algo maraviloso; algo que teria sido maravilhoso mesmo para aqueles que não a amam. Fracassou. Bem que gostaria de não se importar. Há alguma coisa, ela pensa, de errado consigo mesma.”
quarta-feira, outubro 27, 2004
“O que Laura lamenta, o que mal pode aturar, é o bolo. Ele a constrange, mas não pode renegá-lo. É apenas açúcar, farinha e ovos – parte do encanto de um bolo é sua inevitável imperfeição. Sabe disso; claro que sabe. Mesmo assim, esperava criar algo melhor, mais significativo do que aquilo que produziu, apesar de ter saido lisinho, com o parabéns bem centralizado. Ela quer (admite para si mesma) um bolo de sonho em forma de bolo verdadeiro; um bolo investido de um inegável e profundo sentido de conforto, de abundância. Queria ter feito um bolo que varresse as dores do mundo, ainda que só por uns tempos. Queria ter feito algo maraviloso; algo que teria sido maravilhoso mesmo para aqueles que não a amam. Fracassou. Bem que gostaria de não se importar. Há alguma coisa, ela pensa, de errado consigo mesma.”
